sexta-feira, 22 de outubro de 2010

POESIA EXISTENCIAL I


"O nascimento de um novo homem" - Salvador Dali.


I


Dedos lépidos em silhuetas
onduladas, brochura esquecida,
rabiscada em papel vergê.

Rosto pálido de feição blasé,
enluarado à paisana do tempo,
barba navalhada démodé.

Boca palavrada de infâmia,
língua mórbida, entrecortada,
rasgada da sede de dizer.

Tudo na mais perfeita
simbiótica da existência,
de se ter o maquinário da vida,
sem o ser.

[Sois o que?]

                        Poesia viva, estereotipada,
                        acaudilhando um corpo
                        através dos olhos, como se
                        fossem tela "despolegada" de tv.


24 comentários:

Valéria Sorohan disse...

Perfeita a sintonia entre imagem e palavras. E que palavras! Os versos finais são fascinantes.

BeijooO*

Ingrid disse...

Boca e língua entrecortadas na existencia estereotipada do corpo em olhos!..
Bela visão Pablo.
Perfeito.
Um beijo.

Zélia Guardiano disse...

Pablo, Pablo, Pablo...
Que poema extraordinário: você tem pacto com as palavras!
Lindo demais.
Grande abraço

Carlos de Thalisson T. Vasconcelos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
João disse...

Relacão neuro-psicótica
muito bem feita
astro de um ser revolucionário
abstraído com êxito.

Abrçs



João;

João disse...

Relacão neuro-psicótica
muito bem feita
astro de um ser revolucionário
abstraído com êxito.

Abrçs



João;

Aline disse...

Oi Pablo,
Vim conhecer seu espaço em retribuição a sua visita e tive uma bela surpresa...
Seus versos fluem com ritmo e as imagem aqui postadas são um verdadeiro presente para quem te visita!
Parabéns!
Beijos!

Sônia Brandão disse...

A poesia nos ajuda a compreender a existência.

bjs

Colecionadora de Silêncios disse...

Oi, Pablo.

Que poema instigante! Li e reli muitas vezes, bebi cada palavra, pq seus versos são maravilhosos!

Beijos, Poeta! :)

Livinha disse...

Lindo poema. Profundo que faz com que percamos as falas.
Adorei.
Sois um ser de riquezas, essas que trabalha a natureza em ti determinante, sem ser cortante, como o risco da navalha.

maravilhoso, me encantei.

Obrigada pela visita.
estarei mais vezes por aqui sem duvida nenhuma.

Feliz fim de semana
Bjs

livinha

José Carlos Brandão disse...

Pablo, a poesia é a arte existencial por excelência. É uma forma de conhecimento. Não salva o mundo, mas torna o homem mais próximo de si mesmo - mais próximo da salvação.
Abraços.

Lara Amaral disse...

Pablo, ótimo seu "brincar" com as palavras, uma complexidade de sentidos que parece lhe saiu assim, naturalmente.

Beijo!

Marcantonio disse...

Muito bom. Rapaz, as quatro primeiras estrofes formam uma descrição (retrato)impressionante! Contundência que me lembra um Augusto dos Anjos.

Já estou aguardando o próximo "Poesia Existencial".

Grande abraço, Pablo!

valéria tarelho disse...

Vim conhecer seu canto e, de cara, me encantei, recepcionada por este poema
que emudece o leitor com seu grito.
A última estrofe é surpreendente: um fôlego extra ao que já se tinha por exaurido. Adorei e sigo.

Abraço,
v

Mirze Souza disse...

Pablo!

Excelente poema que nos faz questionar muito além do que é preciso dizer nessa existência (?).

Destaquei e senti "O SER" aqui de uma forma que nunca havia pensado!

Realmente é uma aula!

Seguirei como aprendiz.

Beijos, POETA!

Mirze

Ingrid disse...

Vim agradecer a visita e sabe Pablo, a música marca nossa vida de forma indelével, mas por vezes não damos conta.
Somente quando percebemos isso vemos que as memórias são indescritíveis!
Um beijo carinhoso no seu coração.

Lídia Borges disse...

Interartes! Um dialogismo perfeito entre a tela e a palavra. A "Poesia viva" nos olhos do poeta que vê "O nascimento de um novo homem"

L.B.

Rayuela disse...

testimonio de esta época es tu poema.

besos*

JB disse...

Uma verdadeira conjugação de palavras que justificam a existência sim da poesia!

Beijinho

Batom e poesias disse...

"enluarado à paisana do tempo"

Tudo ao bom...

Que bom que ganhei um poeta de presente.

bj
Rossana

Mila disse...

Linda, forte e maravilhosa poesia...muitos andam assim "rasgados da sede de dizer" ...
Bjs
Mila

Mariazita disse...

Olá, Pablo
Vim agradecer a tua visita a um dos meus blogs - LÍRIOS - o comentário tão gentil, e conhecer o teu espaço.
Gostei! A tua poesia é... diferente; talvez por isso me tenha agradado ainda mais.
Este último post é uma perfeita sincronia - imagem/palavras. (adorei a imagem).
Fiz-me tua seguidora. Espero que faças o mesmo para não nos perdermos neste mundo imenso que é a blogosfera :)))
Reparei que na sidebar do lado esquerdo mencionas, em primeiro lugar, Machado de Carlos.
Convido-te a visitares o meu blog A CASA DA MARIQUINHAS
E mais não digo...

Feliz domingo. Beijinhos

Machado de Carlos disse...

Engrandecem-me as tuas palavras de carinho. Fico até sem lhe dizer de mim mesmo.
Espero ter feito uma boa apresentação com o meu soneto.
Beijos Meus e obrigado pelas suas palavras.
Um grande Abraço, meu amigo!

Cris de Souza disse...

a existência de sua poesia, faz a diferença.

beijo, querido!