segunda-feira, 25 de outubro de 2010

POESIA EXISTENCIAL


"Canção de amor" - Giordio de Chirico


II

O pensamento me trai!
Questiona fronte ao espelho
quem sou. E no corpo refletido
não encontro resposta.

Tudo que vejo é meu. Reconheço
cada curva estranha, cada traço
indesejado de mim, ou do tempo.
Tudo é meu, mas não sou eu.

O pensamento me trai!
E nele me encontro:
 -Sou ideia parasita sorvendo do corpo
a existência física que me cabe, abstraído
num ignóbil trato de servidão.

Sim! Exploro mãos e pés e cabeça,
mas sou apenas ideia parasita, afim
de perceber um mundo palpável que,
decerto não me pertence.





20 comentários:

Jorge Manuel Brasil Mesquita disse...

Poesia de sobra
que o vento não cobra
nem no absurdo
do corpo surdo
a cobra sinuosa
se mostra lustrosa
passa abstraída
como a velha ferida
que se abre dorida
à razão da vida.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Lisboa, 25/10/2010

Mariazita disse...

Olá, Pablo
Quantas vezes nos olhamos no espelho e não nos reconhecemos!
Gostei do poema. Não é poesia de ler e esquecer, fica na mente... dá que pensar.

Boa semana. Beijinhos

Mirze Souza disse...

Belíssimo, Pablo!

Sinto dizer que o mundo te pertence.
O pensamento trai até à ele mesmo.

Sua mente, expandida resolveu ser uma idéia. Mais uma vez, o pensamento trai.

Poetas não tem corpo, são feitos de LUZ imaterial, guiados pelo sentimento.

As sensações profundas que passam o poema, me fizeram divagar.

Excelente!

Beijos, poeta!

Mirze

Rayuela disse...

sólo
somos
fragmentos


un beso*

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

a crensça de que a existêcia é racional nunca foi boa coisa

Livinha disse...

Olá Pablo!!

Não, este mundo de fato,
não te pertence, como não pertence a ninguém,
Nem esse corpo, que não encaras no espelho, que indireta e certeiramente sabes que não te pertence.
Mas esquece-te de olhar para dentro de ti e ver a tua alma, o ser que rege esse corpo que te serve de instrumento, para tocar a travessia.
Mas vou te adantar que sois um ser deverasmente inteligente, com alma poderosa que tem o dom de voar, buscar resposta no dorso da poesia que tão profundamente rabiscas nas pautas...

Cada poema tem o cheiro de npos. Tentamos deizer algo e depois de concluido, vemos muito o mais o que esperavamos. Isto acontece muito comigo, sem querer me decifro, quando nem de mim, nada sabia...

Encantada com tuas escrituras...

Lindo que nos leva a refletir...

Bjs

Livinha

Mariazita disse...

Por sugestão de um querido amigo fiz um selinho, à imagem do convite, para comemorar este evento, que coloquei em A MINHA COLECÇÃO DE SELOS
Gostaria muito que o trouxesse para o seu blog.
Obrigada.
Beijinhos

Ingrid disse...

nossas palavras que brotam,vem do amago de nós e lá sim,está onde nos pertencemos..
Beijo Pablo.

Zélia Guardiano disse...

Pablo, meu querido
Que poema lindo e profundo você nos oferece!
Eu diria que a matéria é ilusão da mente...
Que o mundo fenomênico não é real.
Penso muito sobre isso e foi imediata e intensa minha identificação com seus versos!
parabéns!
Abraço, amigo!

Assis Freitas disse...

sensação de estranhamento, ser estrangeiro no lugar e no momento, como disse Cae,


abraço


p.s. obrigado pelas tuas visitas e tuas palavras lá no mileum

Renata de Aragão Lopes disse...

Pablo,
gostei muito de seus versos!

Lembrei-me de um poema
intitulado "Refém",
publicado, há algum tempo,
lá no Doce de Lira.

O poeta e o espelho:
amigos indagadores...

Um abraço,
Renata Aragão

Cris de Souza disse...

Evoé, poeta!

so sad disse...

faz tempo vivo num mundo que não é meu.

Valéria Sorohan disse...

Me olho no espelho e não sou eu, os pensamentos, as ideias são minhas, os sentimentos são meus, mas o reflexo, não sou eu.

BeijooO*

Tania regina Contreiras disse...

Te leio mais uma vez nesse surpreendente reconhecimento de mim mesma: sim, o pensamento me trai "total" e sua poesia vem e me decifra muitas vezes.
Beijos

Colecionadora de Silêncios disse...

Nossa, Pablo! Seus poemas são intensos, profundos e densos. Permeiam toda sinestesia dos sentidos... provoca reflexão. Adoro! :)

Isso é perfeito: "Tudo é meu, mas não sou eu."

Quantas vezes eu já me senti assim...

Beijos, querido.

ONG ALERTA disse...

O mundo pertence a todos nós, talvez não nos façamos parte dele, mas...
Beijo Lisette.

Carlos de Thalisson T. Vasconcelos disse...

Incrível.

Lua Nova disse...

Às vezes me estranho também, não me encontro em mim mesma... Mas olhando pro espelho encontro meus olhos e me redescubro intacta, alma viva, intensa.
Somos o que somos no mais profundo de nós.
Teu lindo poema me fez pensar e buscar-me em mim.
Obrigada por esse momento.
Beijokas.

Sônia Brandão disse...

A busca da identidade norteia o caminho de muitos homens.

bj