sábado, 4 de dezembro de 2010

POESIA EXISTENCIAL

Pablo Picasso


III

Vez ou outra me descubro em verso novo
ou folha que cai revolta pelo vento.
Basta uma luz de fresta e sua poeira visível
pra saber quão pequeno é tudo que conheço.
Refaço-me calado em cadafalso.

Tudo muda o tempo todo sem que esta cegueira o perceba.
Sem saber que não há profundidade verdadeira na vida
que ultrapasse poça d’água. São os erros que afogam.

As coisas que nego ou profiro com veemência,
são desculpas que respondo às mentiras que vivo.
Os nomes que dou são irrelevantes por serem meus.
O tempo, apenas uma forma mórbida de prever o quanto
me resta de pó sobre o mundo que percebo.

Mas há algo que acontece amiúde em mim,
toda vez em que abro os olhos para a verdade,
que nada define ao certo, nem tem prazo de validade.

11 comentários:

Mai disse...

"Descobrir-se em verso novo"...
Tornar-se um novo verso, talvez seja esta maravilha que acontece, sem prazo de validade...

grande abraço, Pablo

Mirze Souza disse...

Pablo!

Tomara que sua poesia e poética tão linda e justa, não tenha mesmo prazo de validade.

A cegueira é sua visão filosófica e verdadeira!

Bravíssimo!

Beijos

Mirze

Assis Freitas disse...

é sempre bom estar em estado de criação,

abraço

Rayuela disse...

todo es efímero, pero tus bellos versos quedan escritos.

un beso*

Ingrid disse...

.." o quanto me resta de pó sobre o mundo que percebo".. soberbo.!
Pablo querido, só deixo-te um beijo.

Zélia Guardiano disse...

Bravo, Pablo!
Bravo!
...nem tem prazo de validade.
Prazo de validade é tema recorrente, numa certa altura da vida!
Talvez até por isso o seu poema tenha mexido tanto comigo.
Lindo demais!
Abraço, querido!

Lua Nova disse...

Sua percepção excede, em muito, a sua pouca idade...
Os olhos da sensibilidade são agudos e perspicazes em vc.
Parabéns! "...Basta uma luz de fresta e sua poeira visível
pra saber quão pequeno é tudo que conheço..."
Perfeito.
Beijokas e um lindo fds.

Livinha disse...

Comos folhas caindo a cada outono, assim vamos nos renovando, como outras que chegam, ao sabor docificando, quão mutáveis somos...

Belíssimos teus versos Pablo, reflexivo, profundo...

Parabéns!

Bjs

Livinha

Carlos de Thalisson T. Vasconcelos disse...

Estranho. Escreveu em poema o que eu escrevi em prosa, no meu último post. Muito bom, meu caro!

Fátima disse...

Oi Pablo,
Que tua criação de belas palavras nunca tenha prazo de validade!
Lindo! Poeta.
Beijo meu

Tania regina Contreiras disse...

Você está cada vez melhor, como pode isso? Vejo-o crescendo tanto no exercício poético e gosto imensamente da sua escrita, Pablo.
estava com saudades das minhas leituras prediletas e vou, tanto quanto o tempo permite, voltando....
Beijos, Poeta...