quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

RESIGNAÇÃO


Romero Britto


Morderia o fruto,
Se não o tivessem feito por mim.
Acostumei-me com a culpa
E navego esta ilíada existência
Naufragando naus de coisas que não fiz.

Tanto em tantos segundos de uma vida errante
Que o tempo é coisa que já não me apraz.
Mas ainda assim morderia o fruto
(mesmo equivocado)
Pela certeza de esgotar toda possibilidade
De encontrar qualquer gota a mais de ser feliz.


9 comentários:

Domingos Barroso disse...

Que se morda sempre o fruto
(o júbilo é estar atento
às mordidas)

Forte abraço,
camarada.

Tania regina Contreiras disse...

Que bom te ver de volta, Pablo! E decidido a morder o fruto, o que é muito importante... Fazia falta tua poesia.

Beijos

Rayuela disse...

la resignación no existe
siempre hay frutos que morder


te extrañaba!
un beso*

Lara Amaral disse...

Quando não se morde o fruto, só se pensa nisso; melhor, então, fazê-lo ;)

Beijo, Pablo!

Mirze Souza disse...

Nossa Pablo!

Demorou......

Mas valeu pelo belo poema.

Eu não morderia esse fruto. Não se pode ser feliz e pronto? E ainda carregando culpa?

Mais um belíssimo poema!

Beijos, poeta!

Mirze

Ava disse...

Que saudades tive dos seus poemas Pablo. a sua forma única e peculiar de sentir.

Belo poema, e é muito, mas muito bom, estar de volta.

Beijinhos doces e um excelente fim de semana, Ava

Colecionadora de Silêncios disse...

Oi, Pablo. :)

Nossa! Fazia tempo que eu não aparecia por aqui e quanta coisa boa perdi.

Fiquei por aqui um tempão, colocando a leitura em dia e me deliciando com os seus versos.

Vc escreve de uma forma muito bonita. Gosto da sua forma de expressão poética.

Beijos, querido.

Tiago disse...

Um dia sem perceber, a gente encontra um oceano inteiro e no outro está no meio do deserto.

É assim mesmo.

T.

Tania regina Contreiras disse...

No dia nacional da poesia, não poderia deixar de passar e agradecer ao Poeta pela partilha, pela generosidade de dividir conosco a emoção da alma. Obrigada, Pablo!
Beijos,
Viva a Poesia!