quinta-feira, 14 de abril de 2011

SONETO AO LUGAR COMUM

Miró


Atônito, surpreso em tal lugar comum
Pensando, do querer, aquilo que apavora:
O todo tão vivido volta a ser nenhum
Renasce o riso cálido de solidão que me adora.

Porque dos beijos, o mais doce não me apraz
Se vivo para os lábios de quem me faz maior?
Se for pra estar morto e amar e amar sem dó
Eu morrerei mil vezes de amar e amar demais.

Mesmo que em vão se repita a mesma prece
Negando as lágrimas de quem sempre chora
Porque este sentimento que hora me apetece.

É o mesmo amor arisco que a todos ignora:
Chega, arrasa, alegra, amansa, adoece
Machuca, corta, fere, morre e vai embora.