quinta-feira, 14 de abril de 2011

SONETO AO LUGAR COMUM

Miró


Atônito, surpreso em tal lugar comum
Pensando, do querer, aquilo que apavora:
O todo tão vivido volta a ser nenhum
Renasce o riso cálido de solidão que me adora.

Porque dos beijos, o mais doce não me apraz
Se vivo para os lábios de quem me faz maior?
Se for pra estar morto e amar e amar sem dó
Eu morrerei mil vezes de amar e amar demais.

Mesmo que em vão se repita a mesma prece
Negando as lágrimas de quem sempre chora
Porque este sentimento que hora me apetece.

É o mesmo amor arisco que a todos ignora:
Chega, arrasa, alegra, amansa, adoece
Machuca, corta, fere, morre e vai embora.

10 comentários:

Rayuela disse...

y cuando se va
queda la casa
vacía


besos*

Raíz disse...

Pablo, meu poeta querido!

Este é o ciclo do amor. Depois que vai embora, chega, arrasa, alegra, amansa, adoece, machuca, corta, fere, morre, vai embora... porque é hora de começar tudo de novo.

LINDO SONETO!

Fique certo que é melhor amar com todos esses males, que saber e viver a eterna indiferença.

Beijos

Mirze

Ingrid disse...

Pablo,
de amor se diz, de amor se vive..
belos versos sempre..
beijos poeta..

Wilson Torres Nanini disse...

Como disse Drummond: "Este o nosso destino/ ... / doação ilimitada a uma completa ingradidão".

Forte abraço!

ॐ Shirley ॐ disse...

Fico feliz em passar por aqui e me deparar com esse inspirado soneto. Muito bom, Pablo. Beijo de luz!

Livinha disse...

Amo tanto e tanto amar, não creio ser o amor uma mortalha.
Portas minhas que se batam a minha cara,
outro amor chegará e me abrirar a mesma porta...

É um querer descontente, porque tanto maltrata a gente, mas a gente não se cansa de amar, quando temos dentro do peito, um coração carente com anseio de se dar....


Adorei o poema Pablo

Como sempre mto inspirado


Bjs

Livinha

Livinha disse...

Pablo,

"É coisa difícil renovar o que é antigo, dar responsabilidade ao que é novo, beleza ao que é obsoleto, luz ao que é escuro, graça ao que é desdenhado, confiança ao que é duvidoso." (Plínio, o velho)

Mas nada tornar-se-á impossível,
se perseverarmos em renovação...

Feliz Páscoa!

Bjs

Livinha

Carla Diacov disse...

poxa, Paulo...
mesmo...
o meu favorito!


boa páscoa!


(cadê a itaipava!?)hehehehe...


beijimnm...

Renata de Aragão Lopes disse...

Um soneto ao domingo:
BOM DEMAIS!

Beijo,
Doce de Lira

Adriana Aleixo disse...

Calma, ele vai embora mas volta!!!
Adorei! Bjo!