segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Reflexo


Não foi por desprezo que fingiu não ligar
quando foste embora e teu pensamento
já desconexo
pareceu comunicar-se em código morse.

Nunca soube a verdade de tuas visitas.
[Honestamente]
pouco se acostumou com o que jogas
dela no papiro sem te preocupares
com o universo fora da bolha.

É quase cruel crer que
por vezes
pouco mereceu decifra-se
pouco permitiu descrever-se
sem torcer o nariz.

Não ao acaso, renunciou ao soneto
quando decidiu não ler-se mais em ti
se afastando da concavidade do espelho.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Girassol


Sempre menino, de olhar sequioso
ligado a tal girassol paralítico
numa gestação de por fazer e ser
interminável.

Seu tempo jamais chegou.
O tempo sempre passa.

Mal soube, preso ao parapeito
que dos lados é que viria
a hora certa
se o presente fosse um presente
que a todos contempla.

Uma janela nem sempre
é espaço demais.
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