terça-feira, 9 de outubro de 2012

Cegueira


Havia um menino jogado na esquina
mãos despetalando flor murcha
em seu habitual mau me quer
as rugas da infância traçadas na sina
e os olhos marejados em direção a terra
sempre lá.

No sinal vermelho da vida
atira malabares às escuras do fumê dos carros
abre o sorriso forçado, curva-se:
Nenhum trocado.

Nenhum culpado que tome seu fardo
e carregue na vida o legado.

Cuidado, abriu o sinal
quando pensei tê-lo visto
e comodamente não vi.
Há quem dele jamais se aperceba ali.


7 comentários:

Adri Aleixo disse...

Tão intensa!

"rugas da infância traçadas na na sina"

Meu beijo!

Sônia Brandão disse...

Para ele está sempre vermelho o sinal da vida. Ele é invisível ao olhos indiferentes dos homens.

bj

José Carlos Brandão disse...

Muitas vezes temos olhos para não ver.

Tania regina Contreiras disse...

E o pior cego é o que não quer mesmo ver, não, Pablo? Teu poema é retrato. Triste retrato da realidade.
Beijos, querido.

Domingos Barroso disse...

os olhos tristes
uma alma triste
...



forte abraço,
irmão.

Machado de Carlos disse...

... Ele canta e enamora nesta esquina!
Grande Abraço, Amigo!

silvia zappia disse...

intenso poema, tan intenso como aquello que no queremos ver

abrazo*