quinta-feira, 20 de março de 2014

POEMETOS

I
Segue o caminho adiante
cego e veloz.

Quem alcança
e roda a dança
completa o passo?

O pé à frente e atrás
à frente, pé atrás
em nova manobra.

Um ponto certo nunca é certo
não há chegada
 e nem agora que não outrora.

As variáveis partem distintas
em retas de curvadas mazelas.

Encontrar-se-ão
 em qualquer tempo
as paralelas?

II 

Mesmo curto o caminho do girassol
e certo e pendular e previsível
como sou e é você

Não a reconheço no campo
ou não a vejo e nem me vê.

Comum e raso e chato
Insiste em descrever-me dia
acompanhando sua mercê

Transgênica e louca e noturna
tento convencer-me de você.

III

Nasce outro dia
E o sol... O sol
O sol é o mesmo
O mesmo sol.

Os raios sim são diferentes
E passam... Apenas passam.

De leste a oeste
De leste a oeste
De leste a oeste
Insiste o sol... O Sol
O sol é o mesmo
O mesmo sol.

Mas os raios
Pobres raios
Os raios não são os de ontem.

Nem são independentes os raios
Os raios tem dono:
O sol... O sol é o mesmo
O mesmo sol.

Os raios sim são plurais
E passam... Apenas passam!

Perpétuo é sol
De oeste a leste
De oeste a leste
De oeste a leste
Insiste o sol... O sol
O sol sempre volta.

Mas raios
Pobres raios
Os raios se perdem